terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tudo mastigado, do jeito que o povo gosta.


Em recente entrevista recente ao L.A. Times o bruxo dos quadrinhos Alan Moore deu a seguinte declaração sobre a indústria cinematográfica:

"Nos tornamos filhotes de passarinhos, sentados com os bicos abertos esperando que a mamãe pássaro (A indústria cinematográfica) regurgite uma pasta de minhocas mortas mastigadas nas nossas bocas... (...) Eu estou de saco cheio disso tudo, será que eles não conseguem criar nada novo?"

A indignação do bruxo se dá pela adaptação cinematográfica de sua história em quadrinhos Watchmen, considerada uma obra prima neste meio (saiba mais aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Watchmen).

O pior é que o barbudo está coberto de razão. O cinema e o meio televisivo está acabando com a capacidade das pessoas de fantasiar, usar a imaginação e pensar. Tudo mostrado tão pronto deixa o público mal-acomodado. Por que alguém leria os volumes da obra "O Senhor dos Anéis" se os filmes estão ali, mastigadinhos pro grande público? Por que a garotada ia querer usar a imaginação num jogo de RPG se temos ali o PC ou o Playstation 3 com gráficos ultra-revolucionários?

O pior é que isto está criando uma geração meio alienada, com preguiça de pensar. Os jovens de hoje em dia têm dificuldades de usar sua capacidade criativa ou interpretar questões e textos simples.

No final das contas, acaba que hoje em dia quem usa a imaginação e tenta pensar um pouco geralmente é tido como louco ou esquisito. Parece que pensar é querer ser "do contra", quase um crime.

Pense nisso.

6 comentários:

Rodolfo "DT" Diniz disse...

Best Post! ^^

Lucas disse...

falou tudo o Moore
acho q reflete tudo.
se mais alguns escritores tivessem a visao e criatividade dele, as esperanças de coisas boas no futuro seriam maiores.

nao dava pra esperar menos do cara que escreveu coisas excelentes do monstro do pantano e criador do john constantine.

Rudah disse...

Ah, Alan Moore... fala bagarai da indústria do cinema, mas enquanto isso suas obras continuam sendo adaptadas (e adaptações as quais ele considera, na maioria, lixo. Swamp Thing é o maior exemplo, e nesse caso eu concordo com ele =P).

Não deixa de ser verdade o que ele disse, mas vá ser ranzinza assim lá longe!

Marcelo disse...

Acho que há uma verdade inevitável e incontornável: a múltiplicidade das mídias desde o advento da TV não colocou a escrita de lado, mas diversificou de tal forma o processo de assimilação de informação que hoje podemos expressar textos de 3 páginas em um vídeo de 30 segundos no youtube...
Acho que estamos lidando com uma nova era da leitura (o blogue é um exemplo disso) e estejamos experimentando novas formas de "ler"...
Eu não se isso é bom ou mal. Ainda estou na expectativa do que o futuro nos reserva.

Fabrício S. Lopes disse...

po sem duvidas.. mandou a real o bichoo ^^

da uma passada no emu la tbm ^^
tem um post legal de educação la.....


abraçosss

Sanger/Regnas disse...

O Moore mandou a real mesmo. Estamos vivendo na cultura áudio-visual.
É difícil esperar originalidade onde existe um mercado de milhões de dólares em disputa.
Tanto Holywood com as grandes empresas de videogame não estão preocupadas com a originalidade dos seus produtos, mas sim na capacidade deles de serem consumidos pelo maior número de pessoas sem maiores dificuldades.
Isso traz vantagens e desvantagens...