terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tudo mastigado, do jeito que o povo gosta.


Em recente entrevista recente ao L.A. Times o bruxo dos quadrinhos Alan Moore deu a seguinte declaração sobre a indústria cinematográfica:

"Nos tornamos filhotes de passarinhos, sentados com os bicos abertos esperando que a mamãe pássaro (A indústria cinematográfica) regurgite uma pasta de minhocas mortas mastigadas nas nossas bocas... (...) Eu estou de saco cheio disso tudo, será que eles não conseguem criar nada novo?"

A indignação do bruxo se dá pela adaptação cinematográfica de sua história em quadrinhos Watchmen, considerada uma obra prima neste meio (saiba mais aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Watchmen).

O pior é que o barbudo está coberto de razão. O cinema e o meio televisivo está acabando com a capacidade das pessoas de fantasiar, usar a imaginação e pensar. Tudo mostrado tão pronto deixa o público mal-acomodado. Por que alguém leria os volumes da obra "O Senhor dos Anéis" se os filmes estão ali, mastigadinhos pro grande público? Por que a garotada ia querer usar a imaginação num jogo de RPG se temos ali o PC ou o Playstation 3 com gráficos ultra-revolucionários?

O pior é que isto está criando uma geração meio alienada, com preguiça de pensar. Os jovens de hoje em dia têm dificuldades de usar sua capacidade criativa ou interpretar questões e textos simples.

No final das contas, acaba que hoje em dia quem usa a imaginação e tenta pensar um pouco geralmente é tido como louco ou esquisito. Parece que pensar é querer ser "do contra", quase um crime.

Pense nisso.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Vá assistir Death Note... no teatro!


Acabei de ler essa no JBox.



Death Note, um dos mais populares animes/mangás dos últimos tempos, conta a história de Light Yagami, um estudante que encontra um caderno de um Shinigami (Deus da Morte), que mata a pessoa cujo nome é escrito nele. Light decide punir os criminosos do mundo, mas acaba sendo perseguido pelo maior detetive do mundo, um homem misterioso conhecido apenas como "L".

A adaptação será feita pela Cia. Zero Zero de Teatro no palco do Centro Cultural do Sesi Leopoldina, São Paulo, no próximo dia 9 de Outubro, com entrada franca e direção de Alice K..

Comentário do Coringa: no mínimo bizarro isso aí... gostaria de morar em Sampa só pra ver como ficou essa budega...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Quando a vida imita a arte: Batman prende Coringa no Recife! o_O'

Pra vocês verem o mundo bizarro em que vivemos...
Olhem só a matéria que saiu num jornal de circulação na grande Recife:



Aqui, a matéria na íntegra:

Batman Captura Bandido Coringa

"Um dos ex-chefes do tráfico do Complexo do Alemão, no Rio, foi capturado terça-feira na loja que mantinha na Rua das Calçadas
Depois de deixar o Rio de Janeiro e procurar esconderijo no Recife, um dos maiores traficantes dos morros cariocas foi preso na noite da última terça-feira. A prisão aconteceu na Rua das Calçadas, no bairro de São José, quando dois agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói, encontraram com o agora comerciante Marcos Santana dos Santos, 29 anos. Um dos policiais encontrou na loja de Marcos, comprou uma vela na forma de um Batman e em seguida o prendeu.
O engraçado é que o Marcos é mais conhecido pelo apelido de Coringa. Uma brincadeira que poderia fazer parte de uma ficção. O acusado é um dos ex-chefes do tráfico de drogas no Complexo do Alemão. Contra ele a polícia tinha um mandado de prisão expedido pela 5ª Vara Criminal da Capital carioca.
A prisão de Marcos foi realizada com o conhecimento da Polícia Civil de Pernambuco. O diretor geral de polícia judiciária, Osvaldo Morais, disse que foi comunicado pelo delegado titular da Delegacia de Capturas, Cláudio Castro, sobre a chegada dos agentes cariocas. “Castro foi contactado pelo delegado do Rio de Janeiro e eu autorizei que nossos agentes dessem o apoio necessário”, contou Morais. Atualmente, segundo o delegado Cláudio Castro, Marcos mantinha uma loja de artigos para festas infantis, no centro de Recife. O delegado não soube precisar a quanto tempo o traficante estava vivendo na cidade.
Ainda segundo a polícia, Coringa foi um dos líderes do Complexo do Alemão entre os anos de 2002 e 2005, quando recebia ordens de Marcinho VP, que mesmo preso continuava comandando o tráfico no local. Para não se assassinado, Coringa veio para Pernambuco com a autorização de Marcinho, que lhe pagou uma espécie de indenização no valor de R$ 300 mil. Chegando em Recife, Coringa comprou uma mansão dois carros e abriu uma loja de artigos de festas.
Antes de fugir do Rio de Janeiro, o traficante comandou uma invasão de traficantes à Favela da Rocinha, ocasião em que ofereceu armas, homens e carros para o Eduíno Eustáquio de Araújo Filho, o Dudu, controlar o trafico de drogas naquela comunidade. Em troca, teria participação nos lucros."

Transcrito do Jornal Aqui PE, matéria por Wagner Oliveira

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Pereira

Um dia saí do trabalho, cansado, estressado. Chovia, e corri pro ponto de ônibus. Minha cabeça estava a mil, pensando em como resolver diversos problemas, e nem reparei quando um homem vestido de preto dos pés à cabeça sentou ao meu lado. Ele limpou os respingos de chuva dos óculos redondos e tipicamente começou a puxar papo, coisa da nossa gente mesmo. Pouco tempo depois começou a me contar que acabara de chegar de um velório, de um tal de Pereira.

Ele me contou que o Pereira trabalhava numa repartição pública, e era o típico sujeito que passa pela gente quase como um fantasma numa cidade grande. Andava sempre de camisa social, calças bem passadas, óculos de aro grosso e cabelos meticulosamente bem-cortados e penteados. Carregava sempre uma maleta também. O Pereira era o típico cara “bonzinho”. Aceitava (constantes) brincadeiras de todos os colegas e poucos amigos que possuía. Estava sempre calmo, era meio caladão. Solitário, a última vez em que havia namorado – isso já tinha uns dois anos – acabou sendo traído e largado. Aceitava tudo, calado.

No escritório, o Pereira era pau pra toda obra. Viviam lhe chamando para ajudar colegas com problemas em seus computadores, o que atrasava seu serviço e fazia com que saísse tarde quase todos os dias. Mas o Pereira era gente boa, e ajudava todo mundo. Quando participava do happy hour com os amigos, o Pereira sempre cobria a parte daquele colega que tinha levado pouco dinheiro, mesmo quando não lhe pediam. Grande colega o Pereira. Entretanto, quando não estava por perto, as pessoas falavam do Pereira. Comentavam do seu jeito calado, estranho, quase anti-social. O Pereira sabia disso, mas parecia não se importar muito. No máximo, olhava sério para algumas colegas quando elas exageravam nas risadinhas.

Numa terça-feira, o Pereira chegou um pouco atrasado na repartição. Coisa incomum, se tratando dele. Carregava uma maleta notavelmente maior que o normal. Alguns colegas o zoaram por causa da camisa xadrez que usava, e nem repararam que o Pereira não havia dado sua típica risadinha seca, típica de quando ele era alvo de uma piada. Às onze e quarenta, perto do horário do almoço, o Pereira levantou, sacou da maleta uma calibre doze e abriu fogo. Dois mortos e quatro feridos. Por fim, enfiou o cano da arma na boca e puxou o gatilho.

Eu ouvia, já perplexo, a narrativa do homem. O ônibus dele chegou, ele se despediu de mim e partiu. O ônibus dele não era o mesmo que o meu.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Reino Proibido


Sempre gostei de filmes de artes marciais, desde os mais realistas aos mais fantasiosos. Em minha adolescência, passava as noites de terça-feira assistindo a extinta "Sessão Kickboxer" na Band, com seus filmes de chineses voadores, onde as artes marciais pareciam mais um balé, com belas coreografias ensaiadas. Os roteiros destes filmes não eram grandes coisas, os personagens eram bem planos, mas carismáticos. Em suma, filmes despretensiosos, feitos pra divertir mesmo.

Neste estilo de filmes, dois astros sempre chamaram a atenção: Jackie Chan, com suas acrobacias mirabolantes e a dispensa de dublês, e Jet Li, com suas lutas fantasiosas, quase parecendo saídas de um anime. Qual fã de filmes de pancadaria nunca quis ver os dois trocando golpes? Pois bem, seu sonho se tornou realidade!

O Reino Proibido é um filme que resgata a inocência de filmes de aventura da década de 80 e início da década de 90, que foram bem marcantes na minha infância. O roteiro não possui nada de muito inovador, sendo bem "Sessão da Tarde", mas todo o seu climão oldschool nos faz esquecer totalmente disso. O filme é divertido, e acho que, neste caso, isto basta.

Aqui, conhecemos Jason (Michael Angarano), um jovem nerd fã de cultura oriental e filmes de artes marciais. Como se espera, apesar de possuir um grande conhecimento sobre artes marciais, Jason não sabe lutar e vive sendo perseguido pelos valentões da escola. Um dia, durante uma visita a uma loja de artigos orientais, onde costuma comprar filmes de kung fu, administrada por Hop, o típico velhinho oriental sabichão, Jason encontra um bastão dourado, que, segundo o ancião, pertenceu ao lendário Rei Macaco, um poderoso e irreverente guerreiro que desafiava os exércitos de Jade na China antiga, transformado em pedra pelo impiedoso General Supremo de Jade (Collin Chou), que invejava suas habilidades. Durante uma perseguição dos valentões da escola, Jason acaba sendo transportado pelo bastão dourado para a China antiga, onde conhece o monge bêbado Lu Yan (Jackie Chan) que diz que Jason precisa devolver o bastão ao seu dono, o Rei Macaco, para que este possa derrotar o General Supremo de Jade, que oprime o povo desde a partida do Imperador. Unem-se ao grupo o minge silencioso Sun Wukong (Jet Li) e a bela assassina Pardal Dourado (Liu Yi Fei), que deseja se vingar do General pela morte de sua família. Como aliada, o General tem a bruxa assassina de cabelos brancos Ni-Chang (Li Bingbing), que deseja obter a imortalidade.

O filme segue um estilo totalmente fantástico. Lutas impossíveis, e, como dito acima, os personagens são planos, porém carismáticos, contando a velha história do garoto nerd que aprende artes marciais para superar seus desafios. Em certos momentos, chega a lembrar o clássico Karate Kid. Se espera um filme sério e com uma trama mirabolante passe longe. Este é um filme do tipo "desligue o cérebro e divirta-se".

Outra coisa que não pode deixar de ser citada é a bela direção de arte do filme. A fotografia é belíssima, e a China antiga se torna um maravilhoso cenário. O filme também possui várias referências, diretas e indiretas, a jogos de videogame (como Street Fighter e Virtua Fighter) e outros filmes de artes marciais.

Por fim, é um filme fantástico e divertido. Se procura uma boa diversão para o fim-de-semana, assista este filme e divirta-se.