domingo, 30 de novembro de 2008

Tokusatsu voltando?


Cara, essa é boa. Acabei de ler no JBox que vão lançar a série completa do Jaspion em DVD no Brasil. Peraê! Não conhece o Jaspion? Então senta que lá vem história.

Jaspion, Changeman, Flashman, Jiraiya, Kamen Rider... estes e outros heróis japoneses marcaram época no Brasil entre os anos 80 e 90. São séries conhecidas no Japão como Tokusatsu (uma contração da expressão "tokushu satsuei", que poderia ser traduzida como "filme de efeitos especiais"). Difícil encontrar um cara lá pelos seus 20 e poucos anos de idade que não tenha vibrado com as aventuras e combates destes heróis durante sua infância (e me inclua na lista!).

Antes delas, séries mais antigas como National Kid, Spectreman ou Ultraman já haviam dado as caras por aqui. Mas foi com a exibição de O Fantástico Jaspion (que lutava contra o Império dos Monstros liderado por Satã Goss) e o Esquadrão Relâmpago Changeman (que usavam a Força Terrena para impedir a invasão do Império Gôzma à Terra) que o gênero explodiu no Brasil. Todas as crianças assistiam, brincavam que eram estes heróis, compravam seus bonequinhos e demais quinquilharias. O mercado voltado ao público infantil tinha sorrisos rasgando seus rostos, pois tiveram muita coisa pra explorar.

Mas o que será que ocasionou tanto sucesso na época? Muita gente critica os tokusatsu, alegando serem séries imbecilóides e de qualidade duvidosa. De fato, os recursos financeiros dispensados a estas séries era baixo. Era comum vermos pedras de isopor explodindo, cenários reaproveitados entre as séries (como a já lendária Pedreira da Toei, onde culminavam a maioria dos combates), monstros com fantasias toscas e (d)efeitos especiais bem mais ou menos... Mas é inegável que os heróis destas séries são carismáticos. Cativavam o público com sua humanidade por trás de tanto poder de combate, e muitos deles eram no fundo gente como nós. Toha Yamaji era o Jiraiya, um ninja cheio de aparelhos HI-TEC, mas tinha que aturar a constante falta de dinheiro e um pai que vivia pegando no seu pé com os treinamentos ninja. O Comando Estelar Flashman era um grupo de jovens que foram abduzidos na infãncia e tentava reencontrar suas famílias enquanto tentavam salvar a Terra. E Kotaro Minami, o Kamen Rider Black, tinha uma narrativa quase trágica, tendo que enfrentar seu próprio irmão que agora era o perigoso Shadow Moon. Todas essas histórias, que colocavam os heróis em contextos mais humanos (ao contrário, até então, da maioria dos heróis americanos), e faziam todos os defeitos técnicos das séries desaparecem ante os olhos da molecada.

Quando o gênero deixou de ser exibido, deixou para trás uma legião de órfãos. Passaram a ser exibidas na TV versões americanizadas das séries japonesas (ou você acha que os Power Rangers são 100% americanos), mas que não possuiam o mesmo carisma das originais. Muitos fãs sentiam falta de suas séries favoritas, e a única solução era conseguir estas e séries mais atuais através da internet e DVDs piratas. Mas isso parece estar mudando. Além do anúncio de Jaspion em DVD, já foi anunciada que a série Ryukendo será exibida na TV no próximo ano. É difícil dizer se estas séries terão o mesmo sucesso de outrora. Mas eu, e milhares de outros fãs do gênero, estamos felizes. E muito.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Videogame nacional - será que dá certo?


Há alguns dias atrás, a TEC TOY, empresa nacional que trabalha com jogos eletrônicos e responsável pelo comércio e linceça dos antigos consoles da SEGA (Master System e Mega Drive - e sim, eles ainda são vendidos por aqui) aqui no Brasil, anunciou a criação de um videogame 100% nacional, o Zeebo.

Com lançamento programado para o primeiro trimestre de 2009, e com preço inicial de R$599 o Zeebo inova por não usar CDs, DVDs, cartuchos ou qualquer mídia externa para seus jogos. O apaelho virá equipado com um chip 3G, reconhecido automaticamente ao se ligar o console em alguma TV, e seus jogos seriam comprados de forma online pela rede Zeebo.net3G e custariam entre R$9,90 e R$29,90. O console tem uma memória interna de 1GB para o armazenamento dos jogos, e várias softhouses como a SEGA, CAPCOM e NAMCO já teriam anunciado que desenvolveriam jogos para o Zeebo, que pode ser visto em ação aqui.

Tudo parece muito bem, e acho muito legal que a indústria brasileira esteja tendo alguma iniciativa no sentido. Mas será que isso cola?

Vejamos. A Sony, que nas duas últimas gerações de videogames dominou o mercado com seu Playstation e o Playstation 2, anunciou que também venderá oficialmente seus consoles e jogos no Brasil. Tendo o Play2 (e provavelmente o Play3, em breve) com toda sua biblioteca de jogos, que inclui sucessos como God of War, GTA e Tekken, será que o Zeebo terá uma vida muito longa? Sem contar que o preço do Zeebo (que parece ter um poder de jogo similar ao de um Play1) será muito próximo ao do Play2, o que é mais um ponto a menos para o console.

O que pode trazer uma chance de vitória ao Zeebo é seu potencial online. Se forem lançados para ele sucessos dos jogos de luta como Street Fighter ou The King of Fighters, com a possibilidade de disputas online, será uma imensa vantagem. O mesmo vale caso para jogos de esporte ou RPGs online. Jogos traduzidos ou com apelo nacional também podem ser uma chave para o sucesso.

Mais sobre o Zeebo pode ser visto em uma discussão aberta no Forum Fighters.

Sinceramente, estou torcendo para que o console dê certo, mas agora nos resta apenas torcer que a TECTOY esteja de fato preparada para entrar neste mercado de gigantes que é a indústria dos games.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Code Geass - review



“Ano de 2010 do calendário Imperial, 10 de Agosto. O Sagrado Império da Britannia declarou guerra ao Japão. As ilhas neutras do leste, e a única superpotência do mundo, Britannia. Entre eles estava o epicentro de um conflito diplomático profundamente desgastado criado pelo Japão. Durante a batalha terrestre, o exército de Britannia usou veículos humanóides blindados, Knightmare Flames, pela primeira vez. Seu poder estava além da imaginação e as forças de defesa japonesas foram facilmente derrotadas. O Japão se tornou um território do Império e sua liberdade, direitos e nome foram tomados. Área 11. E este número era o novo nome do Japão após a guerra.”




Estas frases abrem uma das melhores histórias que já tive a chance de acompanhar, cujo review já estava devendo há algumas semanas: Code Geass – Hangyaku no Lelouch (A Rebelião de Lelouch). Dividida em duas temporadas (Code Geass e Code Geass R2), a série foi iniciada em 2006, em parceria de dois grandes estúdios de animação japoneses (Sunrise e Clamp). Contando com uma animação extremamente bem-produzida e uma trilha sonora muito excelente (com canções compostas por bandas famosas no Japão), a série se mantém impecável no quesito de aspectos técnicos.

Lelouch vi Britannia era um dos príncipes da Britannia, um império fictício, tido como a maior potência do mundo (e curiosamente com a mesma localização geográfica dos EUA...). Um dia, sua mãe, a Rainha Marianne, é assassinada no que parece ser um golpe do próprio Império Britannico. Sua irmã mais nova, Nunnaly, acaba ferida e fica paraplégica, além de adquirir uma cegueira psicológica devido ao trauma. Sem maiores explicações, seu pai, o Imperador Charles, os manda para o Japão, pouco antes de realizar a já citada invasão. Lá, Lelouch faz amizade com Kururugi Suzaku, filho do primeiro ministro japonês, e jura diante do amigo que um dia destruirá a Britannia.


Anos depois, Lelouch, agora com 17 anos (e um sobrenome falso, Lamperouge), vive com a irmã como um estudante britannico num Japão (agora chamado de Área 11) dominado por seu odiado país de origem. Um dia, acaba se envolvendo num incidente onde soldados britannicos perseguiam terroristas, membro

s da Frente de Libertação Japonesa, que haviam roubado uma poderosa arma, e encontra Suzaku trabalhando para o exército britannico. A tal “arma” roubada era na verdade uma garota misteriosa, conhecida apenas como C.C. (lê-se “Ci Two”), que concede a Lelouch o poder supremo do Geass: sempre que olhasse nos olhos de alguém, Lelouch poderia dar uma ordem a esta pessoa, que seria cumprida imediatamente! Fazendo uso deste incrível poder e de sua mente brilhante, Lelouch une-se aos rebeldes japoneses como o justiceiro mascarado Zero, proclamando-se aliado da justiça e protetor dos oprimidos. Na verdade, seu objetivo é destruir o Império Britannico e construir um mundo onde sua irmã poderia viver feliz.


Code Geass possui um roteiro muito bem-desenvolvido, que mantém quase sempre o ritmo frenético, ao contrário do que ocorre em alguns animes que parecem querer enrolar o espectador. É difícil assistir pelo menos os cinco primeiros episódios e não querer saber os rumos que vão tomar a história.


Um dos focos do anime é a eterna oposição entre os até então amigos Lelouch e Suzaku. Enquanto Lelouch age pelas sombras, arquitetando uma rebelião através do sentimento de libertação do povo japonês, Suzaku, um japonês legítimo, serve o Império Britannico acreditando ser este o caminho correto de provar o valor de seu povo, chegando mesmo a tornar-se um cavaleiro do Império da Britannia.

Outro ponto forte da série são seus personagens, em sua maioria muito interessantes, como o próprio Lelouch, um anti-herói extremamente carismático, e a misteriosa C.C., sempre ao lado deste, mas sem nunca revelar seus reais objetivos. Há ainda vários outros, como a bela rebelde de personalidade forte Karen Kozuki, ou antagonistas como Cornelia e Schneizel, príncipes da Britannia e irmãos de Lelouch, que combatem o irmão como Zero sem conhecer sua real identidade. Às vezes, nos dá a impressão que há personagens demais na série, mas dificilmente algum deles é totalmente esquecido, apesar de alguns serem um pouco mal-aproveitados.


A série ainda levanta outros pontos interessantes. Um deles é o ideal representado pelo símbolo, no caso, a máscara do terrorista/justiceiro Zero. Para o povo japonês, Zero é tido como a única chance de libertação, um salvador, enquanto seu alter-ego, Lelouch, está realmente interessado em sua vingança pessoal. Esta temática me lembra situações interessantes como as de filmes como Batman Begins (“Não sou o homem por detrás da máscara. Meus atos definem o que sou.”) e V de Vingança. No final das contas, onde os ideais de Lelouch e Zero entram em conflito?


Outro é o ponto de até onde as ações de um homem (e seus erros) podem afetar os outros à sua volta. Até onde a busca de um objetivo pode levar uma pessoa?




Enfim, Code Geass é uma obra que deveria ser acompanhada não apenas por fãs de anime, mas por todos os apreciadores de uma boa história. Para quem teve sua curiosidade despertada por este pequeno artigo, deixo abaixo os links para baixarem as duas temporadas da série:


Primeira temporada - Code Geass

Segunda temporada - Code Geass R2


“O que significa ser um japonês? Ser uma nação? É a língua? A localização? Algo relacionado ao sangue? Não, é o seu coração! Auto-confiança, princípios e orgulho. Em outras palavras, enquanto você tiver um coração cheio de cultura, não importa onde você viva, você é um japonês!"


- Lelouch/Zero

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Orfãos do entretenimento


Isso acontece muitas vezes: você é fã de alguma forma de entretenimento, seja ele um programa de TV, revista, banda, ou alguma outra coisa. De repente, a coisa acaba. E agora, José?

Pode parecer até uma coisa boba assim vista superficialmente, mas muitas das vezes o fim de algo que gostamos pode marcar etapas em nossas vidas. Eu, por exemplo, como jogador de RPG, passei toda minha adolescência colecionando a revista Dragão Brasil, que tratava sobre este jogo. Mesmo durante épocas em que eu passava mais de um ano sem jogar, eu ainda comprava a revista, apenas pelo prazer de lê-la. O estilo da revista comandada pelo "Trio Tormenta" (Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e J.M. Trevisan) acabou influenciando muito meu estilo de escrita, e foi um marco durante um bom período da minha vida. Quando a revista acabou, lá por meados de 2005, me senti órfão da mesma. Uma coisa que acompanhou minha adolescência inteira havia chegado ao fim, e senti que uma etapa da minha vida havia se encerrado.

Diversas outras coisas também passaram nestes meus quase 24 (icks!) anos de existência. Os progaramas infantis que eu assistia na TV Cultura, por exemplo. Impossível eu me esquecer d' O Fantástico Mundo de Beakman ou Doug, por exemplo. E havia também o programa nonsense Sobcontrole, na BAND, apresentado pelo Marcos Mion, como seus Shit-Shows, Miclones e a presença de Rodrigo Scarpa (o Repórter Vesgo, do Pânico) como o impagável Corvo (personagem que até hoje eu adoro imitar e que já até me rendeu apelidos e nicks na época em que freqüentava o chat da UOL) e suas matérias extremamente engraçadas no "Corvo Repórter".

Enfim, são memórias que guardamos com carinho e que de alguma forma influenciaram na formação de algum ponto da minha personalidade (e me transformaram neste nerd que vos dirige a palavra... xD). Citei apenas algumas, pois a lista seria imensa demais e ia fazer com que metade dos leitores deste blog desistissem do post (a outra metade provávelmente já desistiu quando viu a foto do Corvo com o Mion ali do lado...).

E vocês, são órfãos de quê? Minha curiosidade me impede de não perguntar, então, deixem algo nos comentários falando sobre vocês.

Pra fechar, deixo 3 links - os únicos que achei no Youtube... :( - com uma reportagem no nosso amado (?) Corvão. Fui!

Parte 1
Parte 2
Parte 3