sábado, 19 de setembro de 2009

O que é RPG? (artigo originalmente publicado no Valença em Questão)


Atendendo a pedidos, estou publicando aqui no blog o meu artigo que saiu na última edição do Valença em Questão. Recomendo a conseguirem a edição original do jornal também; Ler no papel é sempre mais cômodo. ^^

"O QUE É RPG?


Recentemente, a mídia trouxe à tona um caso polêmico. Em 2001, uma garota foi encontrada morte em um cemitério na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Seu corpo encontrava-se sobre um túmulo de forma que parecia ter sido mortal num ritual de magia negra. Um paranóico delegado associou precipitadamente o crime ao jogo chamado RPG, gerando uma grande discussão sobre qual seria a verdadeira natureza do jogo. Recentemente, os RPGistas foram julgados e inocentados, mas muita gente ainda possui certa desconfiança ou medo deste jogo, graças ao escarcéu feito pela mídia. Desde seu surgimento, o RPG fui muitas vezes taxado de “jogo do demônio”, que corrompia os jovens e que estes pareciam possuídos quando jogavam. Outros ainda dizem que quem perdesse no jogo poderia perder a vida fora dele também. Tudo isso não passa de lenda urbana, e o RPG é um jogo como qualquer outro.


Criado em 1974 nos Estados Unidos, como uma evolução dos “wargames” (jogos de tabuleiro que simulavam combates de exércitos), o jogo de RPG tem como objetivo contar histórias – daí seu nome Role Playing Game, algo como Jogo de Interpretação. Geralmente jogado em grupos de 3 a 6 pessoas, cada um de seus jogadores tem como objetivo criar um personagem e agir como ele dentro da história do jogo. Um destes jogadores é chamado de Mestre ou Narrador, que cria a história principal e conduz os outros jogadores por ela, onde eles deverão tomar ações, investigar, enfrentar inimigos, etc. O RPG é um jogo totalmente cooperativo, onde não há ganhadores e nem vencedores; os jogadores trabalham em conjunto para que seus personagens resolvam problemas na história proposta pelo Mestre. O único objetivo é montar uma boa história e se divertir. Os primeiros RPGs tinham histórias centradas em fantasia medieval, bem no estilo de “O Senhor dos Anéis”, com cavaleiros enfrentando dragões, magos malignos, coletando tesouros e salvando princesas. Hoje em dia, existem cenários de RPG para todos os gostos: super-heróis, terror, ficção científica, etc. O primeiro RPG é ate hoje o mais jogado em todo mundo, o Dungeons & Dragons, que inspirou o desenho Caverna do Dragão.


Toda ação dos jogos de RPG passa-se apenas na imaginação dos jogadores. Todos jogam em uma mesa, e os jogadores dizem o que seus personagem fazem, de acordo com as narrações do Mestre. Entretanto, como em todo jogo, existem regras para determinar o que os personagens podem ou não fazer dentro da história. Cada jogador possui uma ficha onde anota todas as habilidades e características do seu personagem. Então, se ele deseja atacar o dragão com uma espada, deve constar em sua ficha que ele possui uma espada e que sabe usa-la. Através do lançamento de um dado, o jogador saberá se seu ataque acertou ou não.


Diversos benefícios já foram comprovados sobre o RPG. Seu fator narrativo faz com que possua um grande potencial didático, e já usado com sucesso em salas de aula por todo o Brasil. Por ser um jogo cooperativo, é o único permitido em missões tripuladas da NASA ao espaço. Além de tudo o RPG estimula a leitura e a criatividade.


Portanto, quando ouvir dizer que o RPG é um jogo do mal, esqueça isso. É um jogo saudável, como qualquer outro, apenas desconhecido pela grande parte da população e por isso vítima de preconceitos.

Por Marcus Vinícius Rocher Pinto do Carmo, professor de português e jogador de RPG."


3 comentários:

Rodolfo Diniz disse...

Parabéns Marquinho, belíssimo texto, acho que você não poderia ter discorrido melhor sobre o assunto e a publicação não foi nada mais do que justa. Muito bom ver alguém defendendo o nosso tão querido RPG com tanta propriedade e conhecimento.

Laila disse...

Sim, sim, muito bom mesmo!
Didático e ao mesmo tempo divertido e conseguiu explicar de forma clara o meu jogo proferido
^^

Trevo sem Folhas disse...

Apoio totalmente a prática, é uma excelente ferramenta didática para trabalhar narração e desenvolver a imaginação do aluno. além de ser muito divertido como diz a Laila. Os meus preferidos são os de temas futurísticos ou de mistério...vlew