Passando pelo J-Box, vi que vão lançar um novo filme da série Garo, usando tecnologia 3D, chamado the Red Requiem. Como sei que essa excelente série é bem desconhecida por aqui, vim falar um pouco da mesma.
Garo é uma obra que veio para revolucionar o conceito dos tokusatsu (seriados japoneses de super heróis). Com temas mais adultos que o normal para uma série deste tipo, melhores coreografias e efeitos especiais mais modernos, a série foi um grande sucesso nas madrugas japonesas.
A maldade contida nos corações humanos faz com que bestas demoníacas conhecidas como Horrors venham à Terra. Estes seres possuem corpos de seres humanos ou objetos para poderem se manter em nosso plano, para que possam se alimentar de outros seres humanos. Felizmente, existem os Cavaleiros Makai, poderosos guerreiros que dedicam suas vidas para caçar e destruir Horrors. O principal poder dos Cavaleiros Makai é o de invocar uma armadura infernal, que os torna muito mais poderosos, ainda que por um período limitado de tempo.
A história é protagonizada por Saejima Kouga, o Cavaleiro Makai Garo (Lobo Dourado), de 25 anos, que dedica totalmente sua vida à caçada dos Horrors. Homem frio e de poucas palavras, segue as ordens de 3 meninas conhecidas como As Guardiãs, responsáveis por selar Horrors derrotados e mandá-los devolta ao Makai (Inferno). Um dia, conhece uma jovem pintora chamada Kaoru, que durante um combate de Kouga, é acidentalmente banhada pelo sangue de um Horror. O código dos Cavaleiros Makai diz que pessoas banhadas e infectadas pelo sangue dos Horrors devem ser eliminadas, mas como o cheiro do sangue iria atrair a atenção de outros Horrors, Kouga decide usar Kaoru como isca para facilitar sua caçada (heróico, não?). Mas o destino guarda surpresas para Kouga e Kaoru, e um sentimento começa a surgir entre os dois.
No decorrer da série, surge também Suzumura Rei, o Cavaleiro Makai Zero, que, ao contrário de Kouga, possui uma personalidade amigável, possuindo um grande ódio por Garo. Existem outros personagens de apoio, como o mordomo Gonza, mordomo que criou Kouga após a morte de seu pai (herói frio criado por mordomo... onde já vi isso antes?) e Zaruba, um anel inteligente de Kouga, cuja voz é dada pelo cantor japonês Hironobu Kageyama.
A história é muito interessante, cheia de reviravoltas e prende até o último episódio; impossível assistir os primeiros episódio e não ficar curioso pra saber como tudo vai terminar. Já de início, seus temas mais adultos e algumas cenas mais fortes que o normal já chamam a atenção. Pela primeira vez temos um anti-herói protagonizando um tokusatsu, que foge totalmente do padrão de herói desse gênero. As cenas de ação e efeitos especiais são muito bem feitas, tendo lutas muito bem-coreografadas que parecem ter saído de um anime.
A quem tenha interessado, a série pode ser encontrada completa no site Tokuschool. Quem gosta de animes e temas sobrenaturais aliados a uma boa história pode assistir sem medo. Pra fechar, deixo o trailer do novo filme que estreará em breve nos cinemas japoneses.
As vezes os conselhos vêm de onde menos se espera.
O diálogo abaixo é do episódio 18 de Sekai Ninja Sen Jiraiya (conhecido por aqui como Jiraiya, o Incrível Ninja). Toha (o Jiraiya) está diante de um inimigo invencível, um ninja renegado portando a armadura demoníaca Maoh que, que emana uma carga negativa e o deixa invulnerável. Então, seu pai, o mestre Tetsuzan, diz a ele o que fazer...
- Mas, velho, como lutar? - Toha, não se precipite. Não pense em vencer. - O quê? - Maoh se protege com a carga negativa... E para derrotá-lo, é preciso levantar-se contra ele esquecendo o espírito de luta. E dessa maneira, atravesse o peito dele com a Jikou Shinkuu Ken*. Se falhar, morrerá. No passado, os ninjas de Togakuri, apesar de perder muitos membros, conseguiram destruir Maoh desta forma. - Esquecer o espírito de luta não pensando em nada...
Post aparentemente sem sentido, mas que pra mim diz muita coisa atualmente. Obrigado, mestre Tetsuzan!
Quem quiser assistir ao trecho em vídeo, ta aí (a partir de 1:02):
* Nota: Jikou Shinkuu Ken era a espada de Jiraiya. Por aqui, ficou conhecida como Espada Olímpica, graças a dublagem da série ter sido feita na época das Olimpíadas de Barcelona.
Número de Episódios: 49 (+ o especial Blade vs. Blade e o filme The Missing Ace) Produtores: Jun Hikasa, Saeko Matsuda, Naomi Takebe, Takaaki Utsunomiya Gênero: Tokusatsu Produtora: Toei Company/Ishinomori Productions Ano: 2004
A história de Kamen Rider Blade começa numa batalha de 10.000 anos atrás, onde seres 52 seres conhecidos como Undeads lutam pelo controle do mundo. Cada Undead representa uma espécie de animal, e ao Undead vencedor seria concedida a graça de sua espécia governar sobre a Terra. Como são imortais, ao serem vencidos os Undeads eram selados em cartas, e aquele que o derrotou poderia usar seu poder. O vencedor desta batalha foi o Undead Humano (conhecido como a categoria “2 de paus”), fazendo com que a raça humana fosse a soberana dentre as outras. Isso até os dias de hoje...
A organização conhecida como BOARD faz estudos para descobrir a origem da humanidade, o que os leva até a descoberta dos Undeads e a informação de que eram imortais. Um dos funcionários do alto-escalão da BOARD quebra o selo dos Undeads buscando descobrir o segredo por trás de sua imortalidade, e uma Nova Grande Batalha, com cada Undead buscando a supremacia de suas raças sobre sua raça é iniciada. Para conter a ameaça, a BOARD cria o Rider System, que faz com que humanos possam se fundir com Undead selado da Categoria Ace (Ás). Assim, eles também poderiam utilizar os poderes de Undeads selados e por fim à ameaça...
Personagens principais:
Aqui apresento os personagens de acordo com suas primeiras aparições na série. Mais adiante, alguns deles sofrem mudanças em suas personalidades e informações sobre seus passados aparecem. Essas informações foram propositalmente omitidas para não fazer spoilers.
Kenzaki Kazuma (Kamen Rider Blade): é o protagonista da série. Possui 22 anos e perdeu os pais num incêndio quando era criança, e se culpa por não ter podido fazer alguma coisa para ajudá-los. Por conta disso, jurou proteger todos os humanos que conseguisse. Possui um bom coração e um forte senso de justiça, mas sem ser um personagem extremamente forçado ou até mesmo bobalhão como outros protagonistas. Usando o poder da Categoria Ace of Spades (Ás de Espadas) do Undead Besouro, se transforma em Kamen Rider Blade, sendo sua principal arma uma espada. Possui também uma moto, a Blue Spader.
Tachibana Sakuya (Kamen Rider Garren): possui 25 anos e foi o primeiro escolhido pela BOARD para usar o Rider System, por isso Kenzaki mostra um grande respeito por ele, por ser seu “senpai”. Tachibana questiona alguns dos objetivos da BOARD. Parece possui uma doença causada pelo Rider System, e por isso, segue caminhos tortuosos no começo da série. Possui uma amada dos tempos da faculdade, Sayoko. Usa o poder da Categoria Ace of Diamonds (Ás de Ouro) do Undead Besouro-de-Chifre para se transformar no Kamen Rider Garren. Sua principal arma é uma pistola.
Aikawa Hajime (Kamen Rider Chalice): aparentemente possui 26 anos, mas logo no início da série, vários fatores nos fazem suspeitar de sua humanidade. Ele possui um Rider Belt, mas não é do mesmo tipo do Rider System criado pela BOARD, além de precisar usar outra carta para poder voltar à sua forma humana. Ao que parece, presenciou a morte de um pai de família, e passou a proteger a esposa (Haruka) e filha (Amane) do falecido homem, com quem desenvolveu uma forte ligação. É um homem misterioso e de poucas palavras. Usando a carta Ace of Hearts (Ás de Copas) do Undead Gafanhoto, pode se transformar no Kamen Rider Chalice. Sua arma é uma espécie de combinação de arco e lâmina dupla. Sua moto se transforma junto com ele.
Kamijou Mutsuki (Kamen Rider Leangle): um desmotivado adolescente de 17 anos, foi escolhido contra sua vontade para se tornar um Rider. É membro do time de basquete do seu colégio. Recebeu o poder da Categoria Ace of Clubs (Ás de Paus) do Undead Aranha. Porém, como o Undead não foi selado por ele mesmo, ele passa a exercer sua influência na mente de Mutsuki, sempre dividido entre o bem e o mal e com uma constante sede de poder. Usa como arma um bastão.
Hirose Shiori: é uma funcionária da BOARD, amiga de Kenzaki. Trabalha ajudando os Riders a localizarem os Undeads através de um programa de computador. Possui 20 anos, e suspeita que seu pai tenha sido o responsável pela quabra do selo dos Undeads.
Shirai Kotaro: um jovem escritor de 23 anos. Possui o sonho de publicar um livro sobre os Kamen Riders, e para poder acompanhar suas aventuras de perto, convida Kenzaki e Hirose para morarem um sua casa, já que ambos não tinham para onde ir. Possui uma irmã, Haruka e uma sobrinha, Amane. Está sempre desconfiado de Hajime por este morar com elas e nunca falar sobre si mesmo. É viciado em leite e serve como alivio cômico para a série.
Kurihara Haruka: é a irmã mais velha de Kotaro. Possui 29 anos e uma filha, Amane. Seu marido, um fotografo, morreu enquanto tirava fotos em uma montanha. Pouco tempo depois, Aikawa Hajime apareceu em sua vida, e passou a morar junto com elas. Possui um restaurante em sua casa chamado Jacarandá.
Kurihara Amane: é a filha de Haruka e possui 9 anos. É obcecada por Hajime, e sempre fica deprimida quando este desaparece para combater os Undeads. Ajuda sua mãe no restaurante Jacarandá e vive chamando seu tio Kotaro de idiota, principalmente quando este implica com Hajime.
Karasuma Kei: um cientista de 48 anos e comandante de Kenzaki e Tachibana na BOARD. Foi o responsável pela criação do Rider System.
Yamanaka Nozomi: é a namorada de Mutsuki. Possui também 17 anos, e está sempre preocupada com o amado, principalmente após sua mente começar a ser dominada pela Categoria Ace do Undead Aranha.
Aspectos Técnicos:
A série possui um roteiro muito bem-elaborado e sem furos grotescos, cheio de reviravoltas, embora não esteja totalmente livre de alguns clichês dos tokus. Várias vezes o limite entre o bem e o mal podem ser questionados na série, e as circunstâncias sobre as quais os personagens se encontram influi muito em suas ações. O conceito do uso das cartas de baralho e a função da carta Joker (coringa) na série foi muito bem-explorado também. A grande reclamação quanto ao roteiro é que poderiam ter explorado mais os personagens, sendo que muitos reclamam por eles serem “rasos” demais. Vale ressaltar o final da série, que possui um interessante elemento surpresa.
No quesito visual, Kamen Rider Blade mantém o nível produção dos tokusatsus que foram feitos nos anos 2000. O estilo de luta dos Riders é bem interessante, onde pode-se notar cada um possui sua maneira particular de lutar (destaco o estilo de Hajime/Kamen Rider Chalice, bem interessante). Ao selarem os Undeads em cartas, os Riders podem utilizar seus poderes (que vão desde a capacidade de lanças raios, passando por habilidades como super-velocidade, vôo e duplicação, até a capacidade de aumentar sua força e mudar suas formas), fazendo com que os Rider tenham um certo fator “Megaman”. Os Riders podem usar várias cartas simultaneamente, criando vários ataques novos (os próprios “Rider Kicks” desta série são utilizados através da cominação de duas ou mais cartas).
As musicas da série, como é de costume nos Rider na Nova Geração, estão muito boas também.
Conclusões Finais:
Até agora, foi a melhor série dos Rider da Nova Geração, em minha concepção. Possui lutas bem divertidas, ataques variados, e um roteiro bem-montado. Vale muito à pena! A quem tenha interessado, a série pode ser encontrada para download aqui.
Há algum tempo atrás, anunciei aqui no blog que O Fantástico Jaspion (série que marcou a infância de praticamente qualquer um que hoje em dia tenha entre 20 e uns 27 anos) iria ganhar sua versão em DVD, pela Focus Filmes.
Pois bem, hoje se alastrou pelos sites nerds a informação de que o Esquadrão Relâmpago Changeman, série que marcou época junto com Jaspion, irá também ganhar seu box de DVDs! Detalhe que, apesar do sucesso da série por lá, nem mesmo no Japão os DVDs oficiais da série foram lançados. Ou seja, podemos ser o primeiro país a receber os DVDs dos Changeman!
A série de 1985 faz parte do gênero super sentai (esquadrões, geralmente de 5 membros, cada um de uma cor diferente), que hoje em dia é mais conhecido aqui no ocidente com as adaptações que os transformam em Power Rangers. Na série, cinco integrantes do exército são banhados pelo poder da Força Terrena e ganham poderes dos animais mitológicos (Dragon, Pegasus, Griffon, Phoenix e Marmeid) e devem enfrentar a ameaça do Império Gôzma, liderados pelo maléfico Senhor Bazoo que quer a qualquer custo dominar a Terra.
E não para por aí! Foi dito que é bem capaz da série Jiraiya, o Incrível Ninja (uma das minhas favoritas na época) ganhar também sua versão em DVD! A coisa ta ficando quente, e nesse ritmo é bem capaz que demais séries clássicas como Flashman e Kamen Rider Black também venham a ganhar seus boxes!
Pra fechar, fiquem aí com a empolgante abertura dos Changeman, cantada por Hironobu Kageyama (é impressão minha ou ta virando mania eu sempre fechar meus posts com vídeos?):
Cara, essa é boa. Acabei de ler no JBox que vão lançar a série completa do Jaspion em DVD no Brasil. Peraê! Não conhece o Jaspion? Então senta que lá vem história.
Jaspion, Changeman, Flashman, Jiraiya, Kamen Rider... estes e outros heróis japoneses marcaram época no Brasil entre os anos 80 e 90. São séries conhecidas no Japão como Tokusatsu (uma contração da expressão "tokushu satsuei", que poderia ser traduzida como "filme de efeitos especiais"). Difícil encontrar um cara lá pelos seus 20 e poucos anos de idade que não tenha vibrado com as aventuras e combates destes heróis durante sua infância (e me inclua na lista!).
Antes delas, séries mais antigas como National Kid, Spectreman ou Ultraman já haviam dado as caras por aqui. Mas foi com a exibição de O Fantástico Jaspion (que lutava contra o Império dos Monstros liderado por Satã Goss) e o Esquadrão Relâmpago Changeman (que usavam a Força Terrena para impedir a invasão do Império Gôzma à Terra) que o gênero explodiu no Brasil. Todas as crianças assistiam, brincavam que eram estes heróis, compravam seus bonequinhos e demais quinquilharias. O mercado voltado ao público infantil tinha sorrisos rasgando seus rostos, pois tiveram muita coisa pra explorar.
Mas o que será que ocasionou tanto sucesso na época? Muita gente critica os tokusatsu, alegando serem séries imbecilóides e de qualidade duvidosa. De fato, os recursos financeiros dispensados a estas séries era baixo. Era comum vermos pedras de isopor explodindo, cenários reaproveitados entre as séries (como a já lendária Pedreira da Toei, onde culminavam a maioria dos combates), monstros com fantasias toscas e (d)efeitos especiais bem mais ou menos... Mas é inegável que os heróis destas séries são carismáticos. Cativavam o público com sua humanidade por trás de tanto poder de combate, e muitos deles eram no fundo gente como nós. Toha Yamaji era o Jiraiya, um ninja cheio de aparelhos HI-TEC, mas tinha que aturar a constante falta de dinheiro e um pai que vivia pegando no seu pé com os treinamentos ninja. O Comando Estelar Flashman era um grupo de jovens que foram abduzidos na infãncia e tentava reencontrar suas famílias enquanto tentavam salvar a Terra. E Kotaro Minami, o Kamen Rider Black, tinha uma narrativa quase trágica, tendo que enfrentar seu próprio irmão que agora era o perigoso Shadow Moon. Todas essas histórias, que colocavam os heróis em contextos mais humanos (ao contrário, até então, da maioria dos heróis americanos), e faziam todos os defeitos técnicos das séries desaparecem ante os olhos da molecada.
Quando o gênero deixou de ser exibido, deixou para trás uma legião de órfãos. Passaram a ser exibidas na TV versões americanizadas das séries japonesas (ou você acha que os Power Rangers são 100% americanos), mas que não possuiam o mesmo carisma das originais. Muitos fãs sentiam falta de suas séries favoritas, e a única solução era conseguir estas e séries mais atuais através da internet e DVDs piratas. Mas isso parece estar mudando. Além do anúncio de Jaspion em DVD, já foi anunciada que a série Ryukendo será exibida na TV no próximo ano. É difícil dizer se estas séries terão o mesmo sucesso de outrora. Mas eu, e milhares de outros fãs do gênero, estamos felizes. E muito.